Professor Ludwig Buckup falece por complicações decorrentes da Covid-19

Professor Buckup quando recebia o título de Professor Emérito da UFRGS, em 2016.

A APEDEMA/RS – Assembleia Permanente das Entidades de Defesa do Meio Ambiente do Rio Grande do Sul lamenta publicamente o falecimento nesta terça-feira, 23/2/2021, do grande professor Ludwig Buckup, por complicações decorrentes da COVID-19, aos 88 anos de idade. Para a integrante da coordenação da entidade, que reúne os ambientalistas do Rio Grande do Sul, Lisiane Becker, do Instituto MIRA-SERRA, “Buckup foi um profissional sempre disposto a subsidiar tecnicamente as ações das entidades ambientalistas”.

Para o presidente da AGAPAN – Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural, Francisco Milanez, entidade também associada à APEDEMA, Buckup “participou ativamente na defesa do meio ambiente — foi uma perda lamentável para a ciência ecológica”. Conta que Buckup foi por muitos anos integrante do Conselho Superior da entidade. “Entre tantas lutas em defesa da vida, Buckup foi ativo nos temas da silvicultura, transgênicos, extinção das fundações”. “Seu conhecimento técnico e seu engajamento foram fundamentais para nossas lutas”, declarou a ex-presidente da Agapan Edi Fonseca.

Para o MOGDEMA – Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente, foi “uma grande perda para o ambientalismo do Rio Grande do Sul e do Brasil, foi exemplo de dedicação para aqueles que lutam por dias melhores à vida humana e ao meio ambiente”.

A Universidade Federal do Rio Grande do Sul/ UFGRS expediu uma nota de pesar pelo falecimento do seu “Professor Emérito”, titulo conferido a Buckup em 2016. Na instituição, foi docente e pesquisador do Departamento de Zoologia da Universidade entre 1959 e 1990. Entre 1980 e 1984, foi pró-reitor de Extensão, quando incentivou fortemente a vida cultural na Universidade. Nesse período, coordenou a criação do Programa Unicultura, com seus projetos Unimúsica, Unidança, Unicena, Doze-e-Trinta e Seis-e-Meia e Uniartes. Também instituiu o Projeto Prelúdio, com o objetivo de estimular o interesse pela música erudita e a atuação em instrumentos musicais clássicos. O docente foi professor colaborador até 2010; na pesquisa, atuou na área da Zoologia, com ênfase em Sistemática, Biologia e Conservação dos Crustáceos Decápodos Neotropicais.

Ludwig Buckup recebeu o título de professor emérito em 2016. Na cerimônia de entrega do título, o emérito conclamou seus antigos alunos e atuais professores e pesquisadores a manter o compromisso com um saber acadêmico que tenha relevância social e com uma universidade capaz de promover a transformação da sociedade.

Nos últimos anos, participou da criação da Igré e continuava a pertencer aos seus quadros diretivos. Também integrou o Conselho Regional de Biologia e o Conselho Municipal do Meio Ambiente de Porto Alegre.

Sua esposa, também professora aposentada e pesquisadora, Georgina Bond-Buckup continua hospitalizada também por causa do COVID-19. A APEDEMA/RS deseja à professora Georgina pronta recuperação!

Quem foi Ludwig Buckup

A história de Buckup está contada nas páginas da Wikipedia, site de informações construídas com a participação da comunidade e com colaborações verificadas (link):

Nascido em São Paulo, desenvolveu toda sua carreira profissional no Rio Grande do Sul. Graduou-se como bacharel em História Natural em 1954 e licenciou-se em 1955 na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, aperfeiçoando-se na Universidade de Tübingen, onde obteve um doutorado cum laude em Entomologia em 1958. No mesmo ano voltou ao Brasil e iniciou uma carreira como professor de Biogeografia na UFRGS, em 1983 tornou-se titular do Departamento de Zoologia, onde aposentou-se em 1990, mas permaneceu ativo na universidade até 2010. Organizou as cadeiras de Biogeografia e Oceanografia Biológica, foi um dos idealizadores do Departamento de Zoologia, promoveu a criação do Programa de Pós-Graduação em Ecologia, do qual foi o primeiro coordenador, e colaborou na criação do Programa de Pós-Graduação em Biologia Animal, sendo seu supervisor até sua aposentadoria.[2]

Foi diretor do Museu Riograndense de História Natural de 1962 a 1966 e conselheiro por oito anos. Junto com Balduíno Rambo fundou o Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, foi um dos fundadores do periódico Iheringia, um dos fundadores, conselheiro e presidente da Sociedade Brasileira de Carcinologia, membro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e secretário da seção do Rio Grande do Sul, membro do Conselho Federal de Biologia e do conselho da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul,[2] conselheiro por seis anos da Sociedade Brasileira de Zoologia,[3] consultor do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, da Fundação de Ciência e Tecnologia do Estado de Santa Catarina e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia.[4]

Tem extensa bibliografia científica publicada, desenvolvendo estudos pioneiros especialmente nas áreas da Entomologia, Carcinologia e biota neotropical, descreveu dezenas de novas espécies, é consultor de mais de vinte periódicos científicos e de várias agências e sociedade científicas brasileiras e estrangeiras. Foi um dos principais responsáveis pela consolidação dos estudos da Carcinologia no Brasil.[2] Foi sócio da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural e um dos fundadores da IGRÉ – Associação Sócio-Ambientalista, mantendo há mais de 50 anos intensa atividade como ambientalista.[4][5]

Paralelamente sempre mostrou interesse pela cultura. Foi decano do Programa de Extensão Cultural da UFRGS de 1980 a 1984, sendo responsável pela criação do Projeto Unicultura, com os setores Unimúsica, Unidança, Unicena, Doze-e-Trinta, Seis-e-Meia e Uniartes, promovendo eventos em diversos campos das artes e cultura. Também criou o Projeto Prelúdio, dedicado à educação musical. Foi presidente da Fundação Orquestra Sinfônica de Porto Alegre.[2]

Recebeu várias homenagens e distinções pelas suas relevantes contribuições científicas. Quatro espécies foram batizadas com seu nome (Olivancillaria buckuporum Thomé, 1966; Alpheus buckupi Almeida, Terossi, Araújo-Silva & Mantelatto, 2013; Aegla ludwigi Santos & Jara, 2013, e Circoniscus buckupi Campos-Filho & Araujo, 2011). Recebeu a Medalha Cidade de Porto Alegre pelo seu trabalho nas áreas da Ecologia e Zoologia; o Prêmio Alexandre Rodrigues Ferreira da Sociedade Brasileira de Zoologia e o Prêmio Mérito em Biologia do Conselho Regional de Biologia — Região Sul.[2] Em 2010 recebeu o título de Amigo da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul pela sua contribuição para o engrandecimento da instituição,[6] e em 2014 foi distinguido com o título de Professor Emérito da UFRGS em reconhecimento de sua visão da universidade, seu espírito inovador e seus relevantes serviços à instituição.[2]

Referências

  1.  Comércio, Jornal do. «Falece em Porto Alegre o professor e ambientalista Ludwig Buckup»Jornal do Comércio. Consultado em 23 de fevereiro de 2021
  2. ↑ Ir para:a b c d e f Bueno, Alessandra Angélica de Pádua; Araujo, Paula Beatriz; Santos, Sandro. “Ludwig Buckup’s academic life and his contribution to Carcinology”. In: Nauplius, 2018; 26
  3.  Sociedade Brasileira de Zoologia. Diretorias Anteriores.
  4. ↑ Ir para:a b “Ludwig Buckup: um ambientalista em letras maiúsculas”O Sentinela dos Pampas, 01/04/2012
  5.  Dalcin, Cristiano. “Ambientalistas do Sul do país prometem recorrer às mudanças no Código Florestal”Canal Rural, 24/05/2011
  6.  “FZB presta homenagem a amigos e parceiros”. Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, 22/12/2010

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