Gaúchos lutam pela preservação do rio Camaquã

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Ambientalistas da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) se integram às iniciativas em defesa do patrimônio ambiental de Palmas, localizada em Bagé, na região da Campanha do Estado Rio Grande do Sul (RS). 

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Formação rochosa localizada entre os municípios de Lavras do Sul e Bagé, às margens do Rio Camaquã [30º 51’56.84”S e 53º 42’36.29”W], serviu de palco para a fotografia do grupo. Ao fundo, uma ampla vista representativa do Bioma Pampa.
Após ficarem sabendo, há pouco mais de um ano, sobre a intenção de uma empresa de instalar uma mina de metais pesados nas proximidades do rio Camaquã, as irmãs Márcia e Vera Colares, que residem em Bagé e têm propriedade rural em Palmas, abraçaram a árdua missão de agregar forças para defender os patrimônios ambiental e cultural da terra onde nasceram e vivem até hoje.

“Nós temos essa visão coletiva de que a mineração não combina com as nossas atividades aqui da região”, diz Vera. “Como vamos manter a qualidade dos nossos produtos sustentáveis se começarem a contaminar com chumbo o Camaquã e as nossas propriedades”, questiona.

A bacia hidrográfica do rio Camaquã, pertencente à Região Hidrográfica das Bacias Litorâneas, está localizada na porção central do RS. Com uma área de cerca de 21.657 km², abriga uma população estimada de 356 mil habitantes e é uma das mais preservadas do estado. Com 28 municípios inseridos em sua bacia hidrográfica, o rio Camaquã tem aproximadamente 430 km de extensão. (Fonte: Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Camaquã).

A ameaça que já está tirando o sossego dos moradores do local, mesmo sem ter ainda conseguido a licença prévia de instalação e operação, tem nome e nacionalidades. O projeto Caçapava do Sul é gerido pelas empresas Nexus Resourses, com escritórios em Luxemburgo, Nova Iorque, Peru e Brasil, e pela canadense Imgold (I am gold, “Eu sou ouro”, em Português).

A consciência das moradoras de Palmas e vizinhança, que contam com o apoio de diversas entidades e alguns parlamentares e prefeitos de cidades da região central do RS, reflete os princípios indicados para a prática do desenvolvimento sustentável. “Antes mesmo de [sustentabilidade] ser um termo usual, os nossos avós já agiam dessa forma”, afirma Marcia Colares, que salienta a forma respeitosa com que a flora e a fauna locais sempre foram tratadas.

Agapan visita locais ameaçados e se integra à luta pela preservação

No dia 13 de janeiro (sábado), uma comitiva da Agapan, formada por membros da Diretoria, do Conselho Superior e colaboradores da entidade, saiu de Porto Alegre rumo a Palmas para encontrar as irmãs Colares e conhecer de perto o local ameaçado pelas mineradoras.

O associado Althen Filho, diretor do Instituto de Biologia da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel), aproveitou a ocasião para levar estudantes da Universidade para conhecer o local da mineração (Minas de Camaquã) e regiões próximas (Palmas). Os universitários tiveram a oportunidade de conhecer as opiniões dos moradores sobre a questão.

Conforme explicou o presidente da Agapan, Francisco Milanez, durante conversa às margens do Camaquã com os 27 estudantes do Instituto de Biologia da Ufpel que acompanharam a atividade, a Metade Sul do Estado, que embora esteja sendo considerada pobre [do ponto de vista econômico], ainda tem o Bioma Pampa parcialmente preservado e pode optar pelo desenvolvimento sustentável. Ele alertou sobre o fato de que atividades como a mineração impedem e destroem a possibilidade de realizar um desenvolvimento sustentável na região, o que enriqueceria toda a população ao invés de enriquecer apenas as empresas estrangeiras. O ambientalista saliente que “o mais importante é que o desenvolvimento sustentável mantém a qualidade de vida e saúde que está diretamente ligada à não destruição do rio Camaquã e à manutenção do bioma Pampa”.

Impactos sociais

Além dos prejuízos ambientais, com a destruição irreversível do ambiente natural impactado, o setor de mineração é acusado, em diversos locais do mundo, por crimes trabalhistas. Os impactos sociais ocasionados pelas atividades de mineração, que interferem diretamente nos deslocamentos de populações, afetam, de forma dramática, a cultura e a realidade local onde os empreendimentos são instalados. Os passivos sociais e ambientais acabam sendo jogados sobre a população local, enquanto os lucros das operações altamente degradantes são remetidos para os países de origem das grandes corporações transnacionais causadoras dos impactos. A destruição fica por aqui e as riquezas viajam de primeira classe para o exterior.

Expedições Agapan

Em 2018, a Agapan realizará diversas viagens de observação. Fique atento às nossas redes sociais e listas de e-mail e junte-se a nós. Podem participar associados e apoiadores da entidade.

Fonte: Imprensa Agapan

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