Movimento Roessler pede a despoluição de arroio

Captura de Tela 2016-07-02 às 09.15.55O Movimento Roessler de Defesa Ambiental, com sede em Novo Hamburgo, RS, apóia a Associação dos Moradores do Recanto da Paz que pede a despoluição de nascentes do rio dos Sinos em área que foi habitada. Para o Presidente do Roessler, Eng. Agr. Arno Kayser,  “deve haver uma avaliação detalhada da viabilidade da proposta por técnico especializado no tema a fim de garantir o correto dimensionamento da solução a ser implantada. Também salientamos que devam ser cumpridos todos procedimentos legais da questão para que se construa uma solução permanente para este e os demais problemas enfrentados pela comunidade”.

A jornalista Cátia Cilene, do Roessler, publica a seguinte nota no site da entidade – http://movimentoroessler.org. 

Associação de moradores reivindica tratamento adequado e teme por saúde da comunidade e da nascente.

 

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Morador mais antigo, Adelar, preocupado com a saúde da comunidade

 

Conviver com a falta de tratamento de esgoto tem levado os moradores do
Loteamento Recanto da Paz, em Campo Bom, a impactarem nascentes e
comprometerem sua qualidade de vida. São cerca de 100 moradias ocupadas
por aproximadamente 500 pessoas neste loteamento existente há 16 anos.

O principal impacto ambiental é causado pelos dejetos dos moradores e por
entulhos das áreas próximas que são ocupadas por pessoas de fora do
loteamento, inclusive por um criador de porcos, tudo bem próximo de uma
nascente. Já houve notificação para saírem, mas permanecem impactando a
área, que, inclusive, está localizada na borda da planície de inundação do Rio
dos Sinos, no bairro Mônaco.

No Recanto da Paz a prefeitura executou apenas as obras de escoamento do
esgoto das casas da Rua Boa Vista, Rua da Paz, Rua da Bica e Rua da Lagoa,
até quase a reserva ambiental localizada ao lado esquerdo do loteamento, onde
o esgoto é despejado livremente. Nesta área, de preservação permanente,
encontra-se uma nascente e suas águas já estão contaminadas.

Conforme estudos da vigilância sanitária, realizados a pedido do presidente da
Associação dos Moradores do Recanto da Paz, Ezequias dos Santos, a análise da
água coletada na nascente e em mais dez pontos nos poços artesianos apontou
alta presença de coliformes fecais e de bactéria Escherichia coli.

Ali, todos cidadãos utilizam água de poço artesiano, ou seja, dependem daquela
água que oferece risco de intoxicação. O loteamento não é regularizado ainda,
embora toda documentação necessária já tenha sido encaminhada. Por conta
disso a população não tem acesso à água tratada pela Corsan.

 

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Canos levam água contaminada da nascente para as torneiras das 100 moradias

Preocupado com a saúde da comunidade, Ezequias tem acompanhando, junto com a agente de saúde do município, os casos de doenças causadas por
bactérias. “São alguns casos isolados, mas podem aumentar e se agravar com a água contaminada”. E é sabido que investir em saneamento básico é economizar em doença. Segundo a Fundação Nacional de Saúde (FUNASA), a cada R$ 1,00 (um real) investido em saneamento, economiza–se R$ 5,00 (cinco reais) em medicina curativa.

O motorista Adelar de Moura Oliveira, 48 anos, é um dos primeiros moradores
do loteamento. Ele lembra das várias tentativas investidas no sentido de
regularizar os lotes e de preservar a vertente. Ele mora com a esposa e filho na
Rua Leão XIII, bem ao lado da área de preservação, e teme pela saúde da
comunidade. “Já cansamos de ver as crianças e até adultos com diarreia e
outras doenças. Não queremos que isso piore para a gente”, ressalta.

Tratamento de esgoto por evapotranspiração – A intenção da Associação
de Moradores é implementar um projeto de fossa séptica tratada com árvores e
plantas, igual ao utilizado pelo Centro de Educação Ambiental Ernest Sarlet
(CEAES), de Lomba Grande/Novo Hamburgo. Modelo que Ezequias conheceu em
saída a campo realizada durante a Capacitação Gestores Ambientais
Comunitários, em setembro de 2015, promovida pelo Movimento Roessler para
Defesa Ambiental. Desde outubro do ano passado ele busca alguma solução
para preservar a nascente.

 

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Ezequias conheceu projeto de tratamento de esgoto por evapotranspiração durante saída a campo do Movimento Roessler

A estação de tratamento de esgoto por evapotranspiração do CEAES, desenvolvida pelo engenheiro Fabio Fernandes, dá conta dos resíduos gerados por 5 mil pessoas (média/ano) que utilizam o local. Trata-se de um sistema
fechado, sem infiltração no solo, onde plantas realizam o processo de filtração das águas servidas. A iniciativa melhora os índices de saneamento básico e a consequente preservação dos recursos hídricos do município.

Dados do Comitesinos apontam que o maior problema de qualidade das águas do Rio dos Sinos e formadores é decorrente do inexpressivo volume de esgotos tratados, especialmente domésticos. Portanto, todas as iniciativas que tenham como objetivo a diminuição da carga orgânica lançada nos cursos d’água são louváveis, legítimas e desejáveis. Há que se considerar, no entanto, que é dos
municípios a competência legal pela prestação de serviços de saneamento.

Segundo o presidente do Comitesinos, Adolfo Klein, a população, quando
disposta a implementar sistema de tratamento de esgotos tradicional ou
alternativo, deve submeter o projeto à municipalidade, seguindo todos os
tramites técnicos e legais necessários. “O percurso resguarda as comunidades
de possíveis impactos indesejados e garante a conformidade do sistema de
tratamento adotado”, salienta.

O secretário de Meio Ambiente, José Alfredo Orth, afirma que o pedido para a
implantação da estação de tratamento de esgoto foi recebido pela prefeitura,
embora argumente que o projeto ainda necessita maiores análises sobre os
resultados da água final. “Vamos visitar o modelo de Lomba Grande para
conhecer melhor o projeto e vamos fazer o levantamento do custo desta obra”.

O Movimento Roessler entende que o debate sobre o projeto deve avançar na
busca de solução para esta situação que é importante para a comunidade local
e para a despoluição do Sinos. “Deve haver uma avaliação detalhada da viabilidade
da proposta por técnico especializado no tema a fim de garantir o correto
dimensionamento da solução a ser implantada. Também salientamos que devam
ser cumpridos todos procedimentos legais da questão para que se construa uma
solução permanente para este e os demais problemas enfrentados pela comunidade”,
ressalta Arno Kayser, presidente da entidade.

 

Cátia Cylene
Jornalista
MTb 12597
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