Defensora do meio ambiente e das causas indígenas morre no Rio Grande do Sul

A ambientalista Hilda Emma Wasse Zimmermann faleceu hoje, aos 89 anos, na sua residência em Porto Alegre. Nascida em 25 de abril de 1923 em Santa Rosa, interior do Rio Grande do Sul, construiu o legado na capital gaúcha ao lado de José Lutzenberger, Giselda Castro (in memoriam), Magda Renner, Flávio Lewgoy e Augusto Carneiro.

Em tempos de busca pelo espaço da mulher na sociedade e preocupada com a educação e o bem-estar das pessoas em situação econômica menos favorável, Hilda participou em 1964 da criação da Ação Democrática Feminina Gaúcha (ADFG). Entidade atualmente denominada Núcleo Amigos da Terra/Brasil. Ao lado de Lutzenberger, planejou a fundação da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural, a Agapan (41 anos). O amor pelos povos indígenas – que propiciou o aprendizado da língua guarani – levou-a a criar a Associação Nacional de Apoio ao Índio, a ANAÍ (35 anos).

Atuante até os seus últimos dias, teve a sua trajetória marcada pela luta em defesa dos povos indígenas e dos parques ecológicos e na luta contra os agrotóxicos. O resultado dessa última campanha foi a criação da Lei dos Agrotóxicos, que serviu de parâmetro para a construção da legislação brasileira sobre o mesmo tema.  Hilda perseverou ao lado dos companheiros ambientalistas desde a repressão militar brasileira até a fúria das empresas que destruíam as pedreiras de Itapuã. Graças também ao seu empenho, o Parque Nacional dos Aparados da Serra, conhecido como Itaimbezinho, foi criado.

Do global para o local, o coordenador do Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul (NEJ-RS), Juarez Tosi, lembra o relevante papel desempenhado por Hilda pela preservação das árvores do Parque Moinhos de Vento (Parcão) em Porto Alegre. Ele contou que, no início dos anos 70, a prefeitura pretendia construir “um retão” para ligar as avenidas 24 de outubro e Ipiranga. “Usando de sua astúcia feminina, Hilda mobilizou os alunos do Colégio Uruguai, mostrando a beleza das árvores que seriam destruídas. Ao argumentar que, ‘A natureza não conhece retas, apenas curvas’, conseguiu fazer com que as belas árvores, ainda hoje existentes no Parque, fossem preservadas,” resgatou.

Mais recentemente organizou, juntamente com sua filha Lívia Zimmermann, um livro onde conta os momentos mais marcantes de sua vida. O Livro vai ser lançado em Porto Alegre, no início do próximo mês de junho, durante a Semana Internacional do Meio Ambiente.

O sepultamento ocorre nesta sexta-feira, às 11h, no cemitério Luterano em Porto Alegre, Avenida Guilherme Schel, 467 Bairro Santo Antônio.

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Matéria de Eliege Fante para a EcoAgência de Notícias Ambientais – http://www.ecoagencia.com.br

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